EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS DA NOVA ÁGUIA
REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

A Revista A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- Primeiro número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- Segundo número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- Terceiro número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- Quarto número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- Quinto número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje (recepção de textos até ao final do presente semestre).


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.


Nº 4 - PRIMEIRO LANÇAMENTO:

Nº 4 - PRIMEIRO LANÇAMENTO:

PRÓXIMOS LANÇAMENTOS:

16.10.09 - 20h00: Livraria Torga (Ourense, Galiza)
17.10.09 - 10h30: Faculdade de Filosofia (UCP, Braga)
23.10.09 - 19h00: Auditório da Escola Básica de Montargil
23.10.09 - 22h30: Intensidez Bibliocafé (Évora)
24.10.09 - 16h30: Biblioteca Municipal de Cascais
31.10.09 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
05.11.09 - 14h30: Escola Secundária de Silves
06.11.09 - 14h00: Escola Secundária de Mem Martins
07.11.09 - 15h00: Quinta da Regaleira (Sintra)
11.11.09 - 17h00: Câmara Municipal de Lisboa (C. Grande)
13.11.09 - 21h00: Galeria-Bar Santa Clara (Coimbra)
14.11.09 - 15h00: Biblioteca Municipal de Espinho
14.11.09 - 17h00: Casa da Cultura de Paranhos (Porto)
18.11.09 - 18h30: Associação Agostinho da Silva (Lisboa)
20.11.09 - 21h00: Centro Cultural de Oeiras
25.11.09 - 18h30: Sociedade Língua Portuguesa (Lisboa)
25.11.09 - 19h30: Loja Rosa-Cruz Amorc (Lisboa)
29.11.09 - 17h30: Feira do Livro de Brasília
02.12.09 - 18h30: Faculdade de Letras da Univ. do Porto
02.12.09 - 21h30: Clube Literário do Porto
02.12.09 - 23h00: Labirinto Bar (Porto)
03.12.09 - 16h30: Bib. Municipal de S. João da Madeira
04.12.09 - 21h00: Casa das Cenas (Sintra)
11.12.09 - 21h30: Academia Problemática (Setúbal)
12.12.09 - 15h00: Biblioteca Ilídio Sardoeira (Amarante)
15.12.09 - 18h00: Biblioteca Ramos Rosa (Faro)


Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Aveiro, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Braga, Bragança, Brasília, Caldas da Rainha, Campinas, Cascais, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Ericeira, Espinho, Évora, Faial, Faro, Fortaleza, João Pessoa, Leiria, Lisboa, Luanda, Mem Martins, Mindelo, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Porto, Recife, Régua, Rio de Janeiro, Santiago de Compostela, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real e Vila Viçosa.

Lançamentos já noticiados em:
RTP
Diário de Notícias
Diário Digital
Expresso
Jornal de Notícias
Jornal Porto Net
Público
E em muitas dezenas de blogues...

FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.

À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).

Caso pretenda integrar a NOVA ÁGUIA ou fazer alguma apreciação sobre este projecto, envie-nos um e-mail: novaaguia@gmail.com

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Petição MIL "NÃO DESTRUAM OS LIVROS!"



A Petição MIL "NÃO DESTRUAM OS LIVROS!" (http://www.gopetition.com/online/28707.html) foi já entregue na Assembleia da República, dado que superou a fasquia das 4 MIL assinaturas.

A Petição continua, ainda assim, aberta a novas subscrições.


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (http://www.movimentolusofono.org/)

(facebook: http://www.facebook.com/group.php?gid=2391543356)

(blogue: www.mil-hafre.blogspot.com)

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de um milhar e meio de adesões, de todos os países da CPLP.
Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail:
adesao@movimentolusofono.org

Indicar: nome, e-mail e área de residência.

MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.

MIL-CONSELHO CONSULTIVO:Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).

Quinta-feira, no Porto


Projecto Mares - Olhares da Língua Portuguesa

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Parceiro principal do II International Sea Festival de Chipre, em 2010

A internacionalização do projecto Mares – Olhares da Língua Portuguesa –por internacionalização entendemos “saída do espaço da Lusofonia” – começou mais cedo do que se esperava. O projecto foi convidado (através da empresa que o gere - Amar o Mar) para Parceiro Principal do II International Sea Festival – Cyprus, que terá lugar em Outubro de 2010 em Limassol, Chipre.

Este importante festival de Chipre é promovido pela Fundação Lanitis – uma fundação cipriota que organiza e promove eventos culturais e educacionais. A Fundação Lanitis foi criada em 2001 e já colaborou com instituições tais como Museu Olímpico de Lausanne, Museu Petit Palais de Paris, Ministério da Educação e Cultura de Chipre, Turismo Cipriota, Universidade de Chipre, etc.

A primeira edição do festival decorreu entre 21 de Setembro e 30 de Outubro de 2008 e teve como tema Chipre. Incluiu exposições de fotógrafos do gabarito de Yann Arthus-Bertrand, Bobby Haas e James Stanfield (da National Geographic), entre outros eventos. Para a segunda edição, o país convidado será Portugal.

A responsabilidade do projecto Mares - Olhares da Língua Portuguesa será coordenar e negociar os conteúdos deste Festival. Inicialmente, a ideia da organização era fazer o Festival em torno das Descobertas portuguesas. Foi-lhe sugerido, contudo, que a relação de Portugal com o Mar tem um passado, um presente e um futuro, e que seria mais abrangente e enriquecedor mostrar essa relação no seu todo, e não apenas uma parte dela. A organização aceitou a sugestão e está neste momento a preparar-se uma manifestação que vai incluir exposições de fotografias – uma das quais, já confirmada, de Luís Vasconcelos sobre uma viagem a bordo do NRP “SAGRES” – sobre as Descobertas e sobre o presente da indústria naval portuguesa, em estreita colaboração com o Museu de Marinha, documentários, além de uma mostra de jovens arquitectos navais portugueses cujo tema será “Os Navios do Futuro”.

O International Sea Festival será uma formidável oportunidade para Portugal mostrar o estado actual da sua relação com o Mar, cuja importância cada vez mais é reconhecida e que começa, pouco a pouco, a fazer o seu caminho.

O projecto Mares – Olhares da Língua Portuguesa conta com o apoio de algumas entidades que lhe têm permitido manter-se activo e sempre a responder aos mais diversos desafios. Entre os apoiantes encontram-se a Fundação Portugal-África, a Portline e, como parceiro tecnológico, o portal SAPO, que desenvolverá o site do projecto Mares – Olhares da Língua Portuguesa e participará activamente na sua divulgação e promoção.

Grupos de trabalho do Manifesto "Refundar Portugal" e novo blogue Outro Portugal

Para quem desejar passar das palavras à acção concreta por um Outro Portugal, pensado à escala do Universo e das grandes questões contemporâneas, comunica-se a possibilidade de se juntar aos grupos de trabalho que aqui se divulgam e de participar no blogue Outro Portugal, constituído a partir do manifesto "Refundar Portugal", plataforma de um movimento cívico e cultural a lançar no início de 2010. Em breve teremos um Fórum on line activo. Para já basta enviar um mail para pauloaeborges@gmail.com

Grupo 1 – Comunicação



Sofia Costa Madeira (coordenadora)
Luís Resina
Ana Sofia Costa
Sílvia Neto
Helena Andrade
Ana Paula Germano
Ethel Feldman
Paulo Borges

Grupo 2 – Reconhecimento constitucional da senciência dos animais

Pedro Taborda de Oliveira
Rui Almeida
Vera Fonseca

Grupo 3 - Economia, Ecologia e Energias alternativas

Carlos Ramos
João Bolila
David Amaral
Maribel Sobreira
Rui Almeida

Grupo 4 - Política

David Amaral
Mário Nuno Neves


Grupo 5 - Educação e Cultura

Luís Resina
Aldora Amaral
José Serrão
Fernando Emídio
Helena Carla Gonçalo Ferreira
Sílvia Neto
Teresa Petrini Reis
Manuel Fúria
Luís Santos
Henrique Areias
Maribel Sobreira
Cristina Moura
Mário Nuno Neves
Cristina Castro
Paulo Feitais
Fernanda Gil
Zé Leonel
Joana dos Espíritos
Duarte Soares
Manuel João Croca
Paulo Borges

Grupo 6 - Saúde

Luís Resina
Sílvia Neto
Helena Andrade
Ana Paula Germano
Yara-Cléo Bueno
Maria da Conceição Pinho
Cristina Castro
Paulo Antunes

Grupo 7 - Portugal, Lusofonia, diálogo entre culturas e religiões


Ana Filipa Teles
Ethel Feldman
Cristina Moura
Paulo Borges - e coordenação geral (junto com os coordenadores de cada grupo)


umoutroportugal.blogspot.com

Maio de 2010...

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COLLOQUE INTERNATIONAL

Écrire le passé et construire l’avenir
Intellectuels, penseurs, écrivains, regards croisés
Portugal-Brésil
1910-2010

sous l’égide
la Commission Nationale pour les Commémorations du Centenaire de la République Portugaise (1910-2010) et dans le cadre du projet
República das Letras
coordonné par Helena Carvalhão Buescu

sous le Haut patronage de
Son Excellence Monsieur Francisco Seixas da Costa
Ambassadeur du Portugal à Paris

à
l’Université Paris Ouest Nanterre La Défense
et à l’Université Rennes 2 Haute Bretagne

27- 29 mai 2010

organisé par

CRILUS/ Nanterre (EA 369) et PRIPLAP/ERIMIT-Rennes 2 (EA 4327) )

en collaboration avec
l’Institut d’études brésiliennes de la Faculté de Lettres de l’Université de Lisbonne
le Centre de Recherches Luso-brésilien du Real Gabinete de Leitura de Rio de Janeiro ,
l’Instituto Camões, les lecteurs de portugais à Paris et le Centre Culturel Calouste Gulbenkian à Paris


En 2010, le Portugal fête le premier centenaire de la proclamation de la République, instaurée le 5 octobre 1910. Le rôle joué par les intellectuels portugais dans le processus qui culmina avec la chute de la monarchie est indiscutable. Ces commémorations nous donnent l’occasion d’étudier et de comprendre le projet politique, idéologique, culturel et esthétique que des penseurs, écrivains et hommes de lettres de l’envergure de Teófilo Braga, Manuel Teixeira Gomes, António Patrício, Aquilino Ribeiro, António Sérgio, Jaime Cortesão, pour n’en citer que quelques-uns, inspirèrent.

Par ailleurs, ces commémorations peuvent également donner lieu à une étude plus approfondie et élargie de la figure de l’homme de lettres ou de l’intellectuel en tant qu’homme de la res publica et à une interrogation sur la nature des rapports entre vie culturelle latu sensu et vie politique au Portugal et au Brésil. Ce, tant au cours de la période de l’implantation proprement dite de la République portugaise que durant tout le XXe siècle ; rappelons que le 5 octobre 1910, Hermes da Fonseca, fraîchement élu président du Brésil, se trouvait en voyage officiel au Portugal.

Les relations profondes et complexes entre les intellectuels portugais et brésiliens, aussi bien durant la période républicaine portugaise (1910-1926) correspondant, au Brésil, à la deuxième phase de la República Velha , que sous les Estados-novos, d’inspiration fasciste, portugais et brésilien, virent émerger et prendre corps revues, journaux, œuvres littéraires mais aussi certaines polémiques. Les échanges de correspondances entre l’intelligentsia des deux pays furent nombreux et les influences mutuelles, fructueuses.

Les projets liés à l’éducation, ceux relatifs à la construction d’une « nouvelle » conscience ou identité nationale ou encore la mise sous tutelle et la normalisation des activités des intellectuels suscitèrent des débats, des convergences et des divergences entre des penseurs et hommes de lettres des deux côtés de l’Atlantique …

Ce colloque s’inscrit dans le prolongement de celui réalisé en 2005 à Paris/Nanterre : Au carrefour des littératures brésilienne et portugaise : influences, correspondances, échanges (XIXe-XXe siècles) et de celui organisé du 24 au 26 mai 2010, dans le cadre du « Projecto República das Letras » : Literatura Portuguesa : a construção do passado e do futuro (dirigé par les Professeures Helena Carvalhão Buescu et Teresa Cerdeira). Il cherchera, à travers l’étude des modalités de relation entre la figure de l’intellectuel et la société, à mettre au jour des liens et des influences, des discordances et des complicités ; bref, des passerelles entre la vie littéraire et la vie publique au long du XXe siècle, aussi bien au Portugal qu’au Brésil.

La commission scientifique acceptera des propositions de communication en portugais et en français. Doivent y figurer : le titre, un résumé d’une dizaine de lignes et une courte présentation bio bibliographique de l’auteur (5 lignes). Elles devront être envoyées à l’adresse suivante avant le 15 décembre 2009 :

republica2010@gmail.com

Commission scientifique et d’organisation:

André BELO (Université de Rennes 2-Haute Bretagne)
José da COSTA (Université de Rennes 2-Haute Bretagne)
José Manuel DA COSTA ESTEVES (Chaire Lindley Cintra de l’Institut Camões-Université Paris Ouest Nanterre la Défense)
Claudia PONCIONI (Université Paris Ouest Nanterre la Défense)

Comité scientifique :

Vania CHAVES (directrice de l’Institut d’Etudes Brésiliennes , Université de Lisbonne)
Rita GODET (directrice PRILAP, Université de Rennes 2-Haute Bretagne)
Jean-Yves MERIAN ( directeur ERIMIT, Université de Rennes 2-Haute Bretagne)
Idelette MUZART - FONSECA DOS SANTOS ( directrice CRILUS, Université Paris Ouest Nanterre la Défense)
Gilda SANTOS (Real Gabinete Português de Leitura – Rio de Janeiro)

Pour toute information consulter le site : http://www.sites.univrennes2.fr/erimit/cutenews/priplap/coll/index.html

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Uma aberração…

A classe política portuguesa é particularmente inculta. E isso vê-se, também, no respeito (leia-se: subserviência) que tem em relação aos “artistas”. Sobretudo no poder local: e daí a multiplicação de aberrações que têm conspurcado a nossa paisagem…

(...)
Texto publicado, na íntegra, no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/uma-aberracao.html

30 de Novembro, pelas 18h30, na Embaixada da República Democrática de Timor-Leste

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Exmo.(a). Senhor(a),

A Embaixada da República Democrática de Timor-Leste, a Lidel – Edições Técnicas e os autores, Luís Costa e António José Borges, têm a honra de convidar V. Exas. para a Sessão de Lançamento das obras literárias:


Borja da Costa – Selecção de Poemas / Klibur Dadolin

e

de olhos lavados / ho matan moos


A sessão será presidida por Sua Excelência a Embaixadora da República Democrática de Timor-Leste em Lisboa, Dr.ª Natália Carrascalão.

A apresentação do livro de olhos lavados / ho matan moos estará a cargo da Profª. Ana Paula Tavares (Poetisa; Ensaísta; Professora Universitária) e contará também com a participação da Dra. Elsa Rodrigues dos Santos (Presidente da Sociedade da Língua Portuguesa).

O evento realizar-se-á no dia 30 de Novembro, pelas 18h30, na Embaixada da República Democrática de Timor-Leste, no seguimento das comemorações do Dia da Proclamação da Independência.

Agradecemos a s/ confirmação até ao próximo dia 26 de Novembro para os seguintes contactos: Telef: 21 351 14 48 - E-mail: marketing@lidel.pt

Contamos com a sua presença!

Petição que nos chegou...

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Petição pública: por uma ANTENA 1 mais divulgadora da música portuguesa

«Decerto já se aperceberam que a nossa ANTENA 1 não está a fazer um verdadeiro serviço público, no que concerne à divulgação da nossa música portuguesa, nomeadamente, de uma forma desinteressada, com a difusão de grupos e/ou intérpretes individuais de todo o país. Como Editor Fonográfico há treze anos (http://www.emilianotoste.pt/) e, actualmente, com um catálogo considerável na área da música portuguesa, com alguns intérpretes nomeados para os principais prémios deste país, tenho verificado que os meus editados não têm sido contemplados com uma divulgação efectiva, tendo-o sido, apenas, de uma forma pontual (por exemplo, através de ARMANDO CARVALHÊDA e ANA SOFIA CARVALHÊDA, a nível nacional e MÁRIO JORGE PACHECO e SIDÓNIO BETTENCOURT, a nível regional). O mesmo sentem outros editores que, também, têm prestado um serviço sério e contributivo para a dignificação da arte musical portuguesa.
É de salientar que esta posição não é isolada, porque reflecte o sentir de muitos cidadãos, com os quais tenho dialogado sobre este assunto.
Para não irmos mais longe, basta-nos percorrer a nossa vizinha Espanha e verificarmos a sorte que têm os seus cidadãos músicos. São muito bem divulgados!
É por este motivo que me dirijo a vós, no sentido de contar com o vosso contributo, através da vossa assinatura (no caso da vossa concordância), a qual chegará às Entidades responsáveis por este serviço público, alertando-as para esta pobre realidade que, em nada dignifica a nossa cultura, a nível nacional e internacional.
Desde já, muito obrigado pelo vosso contributo.

Subscreve,
Emiliano Toste - Editor Fonográfico e Professor - BI: 5012748» (in http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N490)


Esta é uma petição muitíssimo pertinente e só peca por tardia porque efectivamente a atitude das direcções da RDP-Antena 1, depois da saída de João Coelho e de António Cardoso Pinto (director interino durante algum tempo), face à música portuguesa de qualidade tem sido absolutamente indigna e indecorosa. Atente-se em qual a música que entra na 'playlist' e na que é deliberada e criminosamente excluída. É facilmente constatável (e já tive oportunidade de o fundamentar no texto 'Playlist' da Antena 1: uma vergonha nacional) que a rádio do Estado, longe de prestar um serviço cabal e conveniente no que à música portuguesa diz respeito, se tornou numa espécie de extensão dos departamentos comerciais das editoras mais poderosas e influentes. Resultado: tudo o que não tem a chancela daquele 'lobby' de interesses é implacavelmente posto à margem e deixado na sombra.
De facto, são muitos os discos de música portuguesa de qualidade que a Antena 1 ignora e/ou marginaliza (cf. Grandes discos da música portuguesa: editados em 2008). E tal acontece não só na afunilada 'playlist' como em programas de autor (por exemplo, no "Vozes da Lusofonia" que deixa de fora álbuns distinguidos com o Prémio José Afonso e contempla – pasme-se! – discos cantados em inglês). Ora, sabendo-se que não é das 'majors' que actualmente sai a melhor música portuguesa, a situação vigente na estação do Estado assume ainda maior gravidade. Esta tem sido uma temática que tenho recorrentemente tratado no blogue "A Nossa Rádio" (http://nossaradio.blogspot.com/), tendo o cuidado de enviar os textos a quem de direito, mas parece que ninguém está interessado em atacar o cancro. Insensibilidade do poder político e das entidades competentes para o problema (que tantos prejuízos tem causado e continua a causar à música portuguesa mais qualificada) ou medo de bulir com interesses instalados? Talvez a resposta seja um misto das duas coisas. Em França e Espanha, como se sabe, estas coisas são tratadas muito seriamente. Por cá, é o deixa andar: "não te rales que eu também não". Esquecem-se as entidades responsáveis que o problema tem uma repercussão cultural (e não só) bem mais nefasta do que à partida possa parecer.
Para a Antena 1, creio que existe uma quota obrigatória de 60 % de música portuguesa. Eu pergunto: de que forma é que tal quota está a ser preenchida? Já alguém se deu ao cuidado de o averiguar? Embora tenha sérias dúvidas quanto ao cumprimento da percentagem em si mesma, dada a profusão de música anglo-americana (ainda por cima de baixíssima qualidade), há outra coisa ainda mais preocupante e inaceitável. Refiro-me obviamente ao facto da 'playlist' estar monopolizada por um único género musical: a pop (a anglo-americana e a nacional, em geral esteticamente tributária daquela). Os géneros musicais de menor potencial económico (portanto, sem interesse para as 'majors', as quais têm de atingir determinados resultados em termos de lucros, porque assim o exigem os accionistas) são implacavelmente marginalizados, sendo relegados para minúsculos apontamentos (durante a semana) ou para programas de autor (ao fim-de-semana), sendo que no último caso nem isso acontece para a música tradicional/folk portuguesa, o que não pode deixar de se considerar uma lacuna muito grave do serviço público de rádio.
Por tudo isto, Emiliano Toste e todos os outros editores que vêem as suas edições serem marginalizadas pela rádio do Estado têm muitíssima razão em se queixarem. Mas os prejudicados não são apenas os pequenos editores: são também os numerosos artistas de mérito silenciados ou deficientemente divulgados, designadamente os que têm vínculo contratual com uma pequena editora ou que lançam os seus trabalhos em edição de autor, e, como não podia deixar de ser, também os ouvintes/contribuintes que assim vêem ser-lhes sonegada, pela rádio que financiam, a oportunidade de tomarem conhecimento de uma parte significativa da boa música portuguesa que se vai produzindo entre nós.
Por um acaso do Destino ou por determinação da Providência ou do Grande Arquitecto do Espaço-Tempo, não me foi dado viver no tempo em que Oliveira Salazar e Marcelo Caetano governaram Portugal, e nessa medida não posso testemunhar com conhecimento de causa qual a música que predominava na Emissora Nacional, a antepassada da Antena 1. Mas baseando-me nos relatos escritos e falados de quem viveu na época, não andarei longe da verdade se disser que o género de música que tinha honras de privilégio era o chamado nacional-cançonetismo (julgo que a expressão é da autoria do jornalista João Paulo Guerra, que actualmente faz a revista de imprensa nas manhãs da Antena 1). E se assim acontecia era porque o regime totalitário o ditava: havia, portanto, uma razão ideológica subjacente. O Estado Novo terminou em 25 de Abril de 1974, e se é certo que o nacional-cançonetismo praticamente desapareceu do éter nacional, inclusive da rádio do Estado, não deixa de ser igualmente verdade que na mesmíssima rádio do Estado, o seu lugar está neste momento a ser ocupado pelo seu equivalente hodierno – a música pop. Com explicar tal situação num regime constitucionalmente democrático e pluralista? A democracia pressupõe o pluralismo de expressão/comunicação e a garantia do exercício de livre escolha por parte dos cidadãos. Mas a livre escolha só é possível se as pessoas tomarem conhecimento do que existe, porque só se deseja e se ama o que se conhece (como diria Fernando Pessoa). Ora é precisamente neste ponto que a rádio pública tem o seu papel a desempenhar, divulgando as obras de qualidade, e sem olhar a quem: se o editor/artista é X ou Y ou se está radicado em Lisboa, no Minho ou no Algarve. Uma rádio pública generalista de âmbito nacional deve reger-se pelo princípio da equidade e dar igualdade de oportunidades a todos os nacionais que apresentem trabalhos de mérito. Não pode favorecer escandalosamente uma parte dos editores/artistas (seja por conluio verbal ou tácito, seja através das famigeradas avenças de promoção), nem tomar partido por uma determinada estética ou linguagem musical como se essa fosse a música oficial do regime. O condicionamento/dirigismo do gosto é uma coisa própria de regimes totalitários (de direita ou de esquerda, para o caso vale o mesmo) e julgo que ninguém defende isso em democracia. Mas é precisamente isso o que a actual direcção de programas da Antena 1 vem fazendo na prática, ignorando por completo as disposições consignadas na legislação que enquadra o serviço público de radiodifusão!

3ª feira, dia 24, na Casa Fernando Pessoa, às 18.30, lançamento de "O Sol do Tarot de Sintra", de Risoleta Pedro



«Ao todo são vinte e duas as personagens, tantas quantos os arcanos maiores, todos desempenham um papel arquetípico neste pequeno teatro familiar que se desenrola em parte na Serra de Sintra, onde as flores são de plástico, o boi é o hierofante e o quotidiano pode ir do mais extraordinário ao mais banal, como a passagem dos ciclistas, uma ópera, um casamento, uma peça de teatro, uma investigação, uma morte, uma gravidez, a vida, o eterno teatro.»

O Sol do Tarot de Sintra (Indícios de Oiro) é uma ficção de Risoleta C. Pinto Pedro que parte das pinturas de Frederico Mira George. A obra será apresentada por Paulo Borges dia 24 de Novembro pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa. Com leituras por Luiza Dunas, haverá ainda a interpretação de duas peças musicais pela pianista Vera Prokic, e um apontamento de dança pelo bailarino Pedro Paz.


Câmara Municipal de Lisboa
Casa Fernando Pessoa
R. Coelho da Rocha, 16
1250-088 Lisboa
Tel. 21.3913270
Autocarros: 709, 720, 738 Eléctricos: 25, 28 Metro: Rato
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt
www.mundopessoa.blogs.sapo.pt

ESTA QUARTA, MAIS 2 LANÇAMENTOS DA NOVA ÁGUIA...

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25.11.09 - 18h30: Sociedade Língua Portuguesa (Lisboa)
25.11.09 - 19h30: Loja Rosa-Cruz Amorc (Lisboa)

domingo, 22 de Novembro de 2009

Europa versus União Europeia

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A Europa existe enquanto espaço civilizacional e todos nós portugueses somos, para o bem e para o mal, europeus. Tenhamos ou não consciência disso.

(...)

Texto publicado, na íntegra, no MILhafre: http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/europa-versus-uniao-europeia.html

II Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora

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Programa
Dia 27 de Novembro
(Sexta-feira)

1º Painel:
14h30Discurso de Boas-vindas de um Representante da Casa de Goa
14h45Discurso do Presidente da A.L.D.C.I., Dr. Fernando Machado
15h00Discurso abertura do Comissário do II Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora, Delmar Maia Gonçalves
15h30Homenagem ao Escritor Ascêncio de Freitas
16h00Intervalo

2º Painel:
16h20Dra. Fernanda Angius – “Os pioneiros da Literatura Moçambicana”
16h40Jorge Viegas – “Alguns nomes da Literatura Moçambicana”
17h00Zetho Cunha Gonçalves – “Chichorro e Craveirinha: duas cartas de navegação para o Índico”
17h20Rodrigues Vaz – “Das Artes Plásticas em Moçambique e em Angola”
17h40Delmar Maia Gonçalves – “O contributo dos escritores, poetas e artistas plásticos moçambicanos na sociedade portuguesa”
18h10Debate
18h30Encerramento dos trabalhos
Moderador – Isabel Ferreira

Dia 28 de Novembro
(Sábado)

1º Painel:
10h30Reabertura – Discurso de Boas-vindas por Delmar Maia Gonçalves
10h40Mestre Lívio de Morais – “A condição do Estatuto do Artista”
11h00Augusto Carlos – “Será a figura de “Pai da Nação” incompatível com a Democracia?”
11h20Carlos Gil
11h40Debate
12h30Pausa para almoço
Moderador – Fernando Gil

2º Painel:
14h30Elsa de Noronha
15h00Edite Correia (em representação de João Craveirinha) – “Lusofonia ou Portugofonia?”
15h20Dra. Marta Rodrigues – “Os Objectivos da Federação das Mulheres para a Paz e o seu papel na sociedade”
15h40Joaquim Evónio – Apresentação da “Varanda de Estrelícias” – site da Lusofonia
16h00Intervalo
Moderador – Fernanda Angius

16h30Inauguração de Exposição Lusófona de Pintura, Escultura e Fotografia pelo Sr. Embaixador da República de Moçambique em Portugal Dr. Miguel Mkaima

Artistas:
Lara GuerraMoçambiquePintura
Ruth MatchabeMoçambiqueFotografia
NtalumaMoçambiqueEscultura
Enid AbreuAngolaPintura
António MaginaAngolaEscultura
Cristina AraújoPortugalPintura
Helena PauloPortugalPintura
Anselmo AmadoSão-Tomé e Príncipe Escultura
João de BarrosGuiné-BissauPintura

16h30
Recital de poesia Moçambicana

Declamadores:
Elsa de Noronha
Ilda Oliveira
Jorge Viegas
Vera Novo Fornelos
Delmar Maia Gonçalves
Flauta:
Luna Delmar Gonçalves

18h30Encerramento – Discurso do Sr. Embaixador da República de Moçambique em Portugal Dr. Miguel Mkaima
19h00Encerramento – Discurso do Comissário do II Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora Delmar Maia Gonçalves
19h30Jantar Tertúlia no Restaurante Casa de Goa

RESTAURANTE CASA DE GOA
Calçada do Livramento, 17 – Tel. 21 393 01 71

Europa, Bélgica e Portugal...

Só os Estados ricos se podem dar ao luxo alegadamente anarquista (na verdade, burguês) de dispensarem Governos. Ao invés, quanto mais pobre é o Estado, mais necessário é o Governo. Ainda que, obviamente, um mau Governo agrave ainda mais a situação…

Vem isto a propósito da recente eleição de Herman Van Rompuy para Presidente permanente do Conselho Europeu, um cargo criado no Tratado de Lisboa para termos finalmente um “Presidente da Europa”, alguém que pudesse falar, de igual para igual, com os Presidentes do E.U.A., China, Rússia, etc.

Entra pelos olhos dentro que a eleição deste belga teve precisamente como objectivo boicotar a potencial importância do cargo. Se o eleito tivesse sido o Tony Blair – goste-se ou não dele (eu não gosto) –, teríamos, de facto, um Presidente da Europa. Assim, temos apenas alguém a quem o Obama telefonará depois de falar, sucessivamente, com Merkel, Sarcozy, Brown, etc. Até o nosso Durão virá à frente na lista telefónica. E não é por começar por D…

O mais bizarro, contudo – passando por cima da cumulativa eleição da “Chefe da Política Externa da União Europeia”, a Sra. Catherine Ashton, eleita, tão-só, por ser, simultaneamente, mulher, socialista e britânica – é o facto do Sr. Rompuy ter aceite o cargo. Para quem não saiba, o Sr. Rompuy foi o primeiro-ministro que conseguiu finalmente formar um Governo na Bélgica, após sucessivos meses de bloqueio. A sua saída levará a que a Bélgica fique de novo, por muitos meses, sem Governo, tal a disputa entre valões e flamengos. Um preço demasiado alto para a nomeação de um mero funcionário…

A menos que, como insinua hoje o Miguel Esteves Cardoso no Público, a razão seja a seguinte: o Sr. Rompuy é contra os Estados nacionais europeus em geral e o Estado nacional belga em particular. A sua reconhecida competência enquanto primeiro-ministro belga estava pois a ser contraproducente. Saindo, mais depressa a Bélgica, essa ficção tipicamente europeia, se desagregará…

Há quem diga que essa era também a razão do “nosso” Durão Barroso, mais isso, obviamente, é uma piada de mau gosto. Mesmo com sucessivos Governos maus, Portugal não corre esse risco. Somos pobres, é certo, mas inquebrantáveis…

Publicado no MILhafre: http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/europa-belgica-e-portugal.html

11 de Dezembro, às 21h30

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No âmbito das comemorações do 25º Aniversário da Fundação AMI
não perca
“CONCERTO CONTRA A INDIFERENÇA”
da Orquestra Metropolitana de Lisboa, a realizar na Aula Magna, no próximo dia 11 de Dezembro, às 21h30.


Orquestra Metropolitana de Lisboa

Alexandre da Costa - Violino
Cesário Costa - Direcção Musical

Programa:
Eurico Carrapatoso (n. 1962) – A-ver-o-mar, Pequena Sinfonietta Marítima
Pablo de Sarasate (1844-1908) – Árias Ciganas, Op. 20
Camille Saint-Säens (1835-1921) – Introdução e Rondó Caprichoso, Op. 28
Béla Bartók (1881-1945) – Danças Folclóricas Romenas
Joly Braga Santos (1924-1988) – Divertimento n.º 1
Sergei Prokofiev (1891-1953) – Sinfonia Clássica, Op. 25


Anfiteatro Inferior: 7€
Anfiteatro Superior: 5€
Bilhetes à venda: FNAC, Ag. Abreu, Worten, C.C. Dolce Vita, Megarede, El Corte Inglés (Lisboa e Gaia). Na Aula Magna, apenas no dia do espectáculo, a partir das 16h. www.ticketline.sapo.pt. RESERVAS: 707 234 234.


Concerto Contra a Indiferença

A Fundação AMI celebra, em Dezembro de 2009, 25 anos de existência. Apesar de inicialmente se ter dedicado à Assistência Médica Internacional, a sua área de intervenção foi-se tornando cada vez mais abrangente, não só por ter alargado o seu campo de acção para Portugal, hoje com 11 estruturas de apoio social em pleno funcionamento e duas em fase de construção, mas também por actuar em outras áreas, todas elas directamente relacionadas com a saúde do Ser Humano (física, social e ambiental).

A celebração da efeméride será dedicada à luta contra a pobreza e exclusão social, fenómeno cada vez mais presente em Portugal.

A Orquestra Metropolitana de Lisboa e a Reitoria da Universidade de Lisboa associam-se a esta celebração, proporcionando este agradável serão. A receita do concerto reverterá a favor dos projectos da AMI em Portugal, sendo o valor dos bilhetes simbólico, acreditando a organização que, com pequenos gestos, é possível fazer a diferença.

Um pequeno contributo para uma grande causa!

Pedimos o seu apoio na divulgação deste evento. Gratos pela atenção.


Fundação AMI
21.836 21 00
21. 836 21 99
http://www.ami.org.pt/

Próxima quinta...


"Para um novo universalismo baseado na interculturalidade": François Jullien

Publico aqui uma entrevista feita a um dos mais influentes pensadores contemporâneos, François Jullien, pelo investigador brasileiro Gunter Axt e publicada na edição deste mês da revista Cult. Jullien repensa toda a tradição filosófica ocidental a partir do seu conhecimento profundo do pensamento chinês. Mantenho a versão brasileira e agradeço a Rui Lopo o conhecimento deste texto, que introduz a alguns aspectos fundamentais de um pensador que leio desde há uns anos, incontornável para a compreensão do nosso tempo e do sentido do diálogo intercultural. Nesse domínio, está a par de Raimon Pannikar.
Como habitualmente, em Portugal não há um único livro traduzido deste autor, ao contrário do que acontece nas principais nações europeias. Já o tenho proposto a vários editores...

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"Por um novo universalismo baseado na interculturalidade": íntegra da entrevista com o filósofo François Jullien.

François Jullien é um dos filósofos franceses mais em evidência na atualidade. Especializou-se em pensamento chinês e afirmou-se como um importante teórico do diálogo intercultural no contexto do mundo globalizado.
É professor na Universidade Denis Diderot, Paris VII, onde dirige o Instituto do Pensamento Contemporâneo. É membro sênior do Instituto Universitário da França, já presidiu o Colégio Internacional de Filosofia e a Associação Francesa de Estudos Chineses. Ele dirige atualmente a revista Agenda do Pensamento Contemporâneo, editada pela Flammarion. Desempenha também papel de consultor para empresas ocidentais que desejam se instalar na China. Seus livros estão traduzidos em uma vintena de países, inclusive no Brasil.
Nesta entrevista, concedida em Paris, François Jullien discute a sua opção por estudar a China, problematiza a diferença entre alteridade e exterioridade, entre universal, uniforme e comum, conceitos que considera fundamentais para compreender a dinâmica do diálogo entre as culturas. Jullien fala ainda sobre o pensamento chinês como um modo de coerência com características próprias e debate a China contemporânea, a Comunidade Comum Européia, o Brasil e o papel do intelectual na atualidade. Repensa, ainda, os limites dos Direitos Humanos e defende a necessidade de construção de um novo universalismo, baseado na diferença, mas refratário ao relativismo cultural.

Por que a China, por que fazer da China o sujeito de seu trabalho?

No início, fui helenista. Mas fui interessando-me pela China porque ela se constitui em uma exterioridade particularmente marcante em face da cultura européia. Exterioridade de língua, já que o chinês não pertence à grande tradição indo-européia; de História, já que os contatos da Europa com a China tornaram-se mais freqüentes apenas a partir do século XVI, na esteira das missões de evangelização, ganhando intensidade na segunda metade do século XIX, como desdobramento do processo colonial moderno. Apesar das diferenças, ambas, Europa e China, são comparáveis. Não se trata de buscar o exotismo da China, mas de se evidenciar o quanto ela é um caso particularmente tipificado e com forte exterioridade com relação à cultura européia. Minha abordagem é filosófica. Trabalho sobre um pensamento constituído e explicitado, com o objetivo de re-interrogar o pensamento europeu a partir de fora.
Qual é a diferença entre a exterioridade e a alteridade?
Sim, eu mencionei exterioridade e não alteridade. Por que a exterioridade é algo dado pela geografia, pela língua, pela História - se constata. Por sua vez, a alteridade é uma construção cultural. A China está alhures; mas em que medida ela se constitui em um outro? É o que Foucault chamava literalmente, em "As palavras e as coisas", de heterotopia da China, distinguida da utopia: as utopias confortam, as heterotopias inquietam.
Mais do que a diferença do pensamento extremo-oriental com relação ao europeu há uma indiferença nutrida tradicionalmente entre estes termos. O primeiro desafio é sair desta indiferença mútua, de maneira a que um possa visualizar o outro, numa mudança de enfoque que suscita o pensar.

Existem modos possíveis de coerência no mundo contemporâneo em paralelo à tradição judaico-cristã e ao racionalismo ocidental?

Contrariamente ao que pretende a história ocidental da filosofia, o Extremo Oriente não ficou em estado pré-filosófico. Ele inventou os seus marcos de abstração, conheceu uma diversidade de escolas e explorou outras fontes de inteligibilidade.
Há um benefício duplo deste percurso intelectual pela China. Além da descoberta de uma outra inteligibilidade, sonda-se até onde pode ir esta deterritorialização do pensamento. Mas este deslocamento implica também num retorno. A partir deste ponto de vista da exterioridade, trata-se de retornar aos pressupostos a partir dos quais se desenvolve a razão européia, pressupostos ocultos, não explicitados, que o pensamento europeu veicula como uma evidência. O objetivo aqui é remontar ao impensado do pensamento, captando a razão européia ao inverso, a partir de sua exterioridade.
Pensar na China é justamente sair deste grande movimento pendular entre Atenas e Jerusalém encarnado pela filosofia européia.
Na sua percepção, os chineses possuem noções do Ser, da Verdade e do Tempo diferentes daquelas consolidadas pela tradição ocidental?
Consideremos a noção de "Ser" a partir da qual, sabe-se, a Europa baseou seu pensamento, desde os gregos (desde Homero). "Ser" ou "Não Ser", no pensamento europeu, forma a alternativa dramática básica; do mesmo modo que a oposição entre o "Ser" e o "Devir" constitui nele a linha de separação a partir da qual se desenvolveu a Ontologia, o caminho expresso para a Filosofia. Ora, ao mesmo tempo em que não podemos pensar fora dessa dupla oposição do "Ser" (nossa mente se articula nela), estamos conscientes de que o termo "Ser" é empregado com "diversos sentidos", primeiramente os de "existência" e "qualificação" (ser isto ou aquilo, ou de certo modo). Convergem esses significados para uma só unidade, onde permanecem estranhos um ao outro, dando, por isso, margem a confusões? Mas, tornando precisa a questão, tratar-se-ia exatamente da "raça humana" e, sobretudo, não de algo grego, que "nós" herdamos na Europa? Quanto ao pensamento chinês clássico, diferencia ele entre o "existir" (you) e o "o estar" (wei) ou o "existir-estar", "existência-subsistência" (on he on), admitindo também a função da "cópula" (ye), isto é, o verbo que une o sujeito ao nome predicativo do sujeito. Mas entre eles, não se diz (não se pensa) em "Ser" como um absoluto: o "Ser" como um fenômeno do qual todos os outros devem participar para que se diga que "existam"; e tampouco a idéia do "Ser" como "Ser como Estar" (on he on), à qual devemos desde Aristóteles que a Filosofia se tenha feito Ciência. Ao pensamento chinês, portanto, não se colocou - ou não pôde se colocar - a questão que para nós, contudo, até aqui parece inevitável, a do ti esti, ou seja, "do que se trata"?
Para os gregos, uma relação entre o conhecimento e o "Ser" funda a filosofia, ao passo que na China não há qualquer Ontologia. Não se pretendeu construir uma aparência onde possamos viver, mas busca-se encontrar a diversidade de pontos de vista e sua anulação mútua, o que constitui o "caminho" comum da imanência (o tao).
A China pensou a "adequação" circunstancial, mas porque ela não a pôde apoiar no Ser, não a pôde estabelecer sob um plano de eternidade, não a pôde sustentar por um projeto puro de conhecimento (que tendeu como entre os gregos a assimilar a sabedoria à ciência, a sophia à epistémé), ela não produziu a Verdade, como visão maior da filosofia - não pôde visto aqui não como a expressão de uma falha, mas mais como a abertura para um outro possível. O termo em chinês antigo que melhor podemos traduzir por "verdadeiro" significa antes "autêntico" (zhen: no sentido dos sentimentos ou de uma natureza verdadeiros; o "homem verdadeiro" zhen ren é, notadamente no taoísmo, aquele que ascendeu a uma perfeita disponibilidade interior e não conhece mais os entraves ao desabrochar de sua existência). Os chineses manejaram bem o julgamento disjuntivo, mas eles cedo se desafiaram, desde a formação de suas escolas de pensamento, na antiguidade, sobre a perda fatalmente ocasionada - do ponto de vista da globalidade da sabedoria - do conflito (estéril) de posições. Isto significa que não necessariamente os chineses são incapazes de distinguir o verdadeiro e o falso, mas que não é sobre este ângulo, da pesquisa e da busca da verdade, que eles desenvolveram suas concepções. Enfim, os chineses não produziram uma fixação sobre a Verdade.
Noções que acreditamos serem gerais e invariantes, universais, não necessariamente se repetem na China. Para entrar no pensamento chinês, é preciso acompanhar o desenvolvimento de suas noções e de seus questionamentos internos, sem pressupor que seus modos de coerência concordam de golpe com os dos europeus.
Isto acontece também com a noção de tempo. Os chineses pensaram a temporada, o instante (momento - ocasião - circunstância: shi) e a duração (jiu), mas não a noção de tempo homogêneo e abstrato, destacado do curso dos processos, tal qual os gregos a pensaram a partir de uma física do movimento dos corpos e de seu deslocamento no espaço (Aristóteles), de uma ruptura metafísica com a eternidade do Ser (Platão-Plotino) ou de Deus (Santo Agostinho); e tal que nós a flexionamos de ordinário na conjugação dos diferentes tempos verbais - a língua chinesa não conjuga.
O tempo europeu é divisível em diversos tempos, mas as divisões não existem efetivamente: o presente não é mais do que um ponto de passagem, sem extensão, portanto, sem existência, entre o passado, que não é mais, e o futuro, que ainda não é. Quando os chineses e os japoneses encontraram a noção ocidental de tempo, ao final do século XIX, ao se defrontaram com o pensamento e a ciência ocidentais, a traduziram por "entre-momentos" (shi-jian, em chinês, e ji-kan, em japonês).
Restemos, portanto, vigilantes quando nos depararmos, em uma tradução do chinês clássico para uma língua européia, com termos como Verdade, Ser, tempo, ideal, etc...: uma assimilação já se consumou ali, bem intencionada, até, mas gerando indevidamente a ilusão da universalidade.

Quais são as conseqüências dessa sua compreensão para a percepção da China contemporânea?

Eu proponho a noção de "potencial de situação" para compreender a concepção chinesa de eficácia. Apanho-a aos estrategistas da Antiguidade, como Sun Zi e Sun Bin. Mais do que modelar uma fórmula ideal colocando-a como uma meta, o que implica em forçar a impregnação desta meta na realidade, aquilo que vem a ser eficácia na China se aplica a demarcar, a detectar, os fatores favoráveis existentes no seio da situação abordada. A idéia é fazer evoluir continuamente a situação em função dos fatores que podem ser revelados, de maneira que é da situação mesma que decorre o efeito. Assim, se hoje não é favorável, é preferível esperar, mais do que se destroçar enfrentando uma situação adversa. É por isto que prefiro para a China o termo "eficiência", mais do que "eficácia", pois permite compreender a continuidade de um desdobramento, ao mesmo tempo que a arte de captar sua imanência, sem evidenciar a imposição de um projeto.

Donde decorre uma segunda noção: a de "transformação silenciosa". Ora, diferentemente do herói europeu, que não apenas se estabelece uma meta, como ainda age de maneira a propiciar a forma ideal que traçou, um dos temas mais marcantes do pensamento chinês é o não agir, que não deve de forma alguma ser compreendido no sentido de passividade ou de ausência de engajamento. Se o estratego não age, ele transforma, faz lentamente evoluir a situação no sentido desejado, por influência. Enfim, a transformação se manifesta como o contrário da ação. Enquanto esta é local, momentânea e ligada a um sujeito específico, a outra é global e progressiva. Nós não a vemos, mas ela acontece. Como o envelhecimento de uma pessoa, que percebemos quando a comparamos com uma fotografia sua de vinte anos atrás. O pensamento chinês dissolve a individualidade do evento no processo.
A China, ainda hoje em dia, não me parece estar projetando um plano sobre o devir, perseguindo um fim dado ou divisado, mesmo imperialista; mas sim parece estar explorando da melhor maneira possível, dia após dia, seu potencial de situação. Quer dizer, tirar partido dos fatores favoráveis, seja no domínio econômico, no político, no internacional e em qualquer que seja a ocasião. É apenas agora que começamos, um tanto estupefatos, a constatar os resultados: que em alguns decênios ela se converteu na usina do mundo e nos próximos anos seu potencial crescerá inelutavelmente. E isto, sem um grande evento, ou ruptura. Deng Xiaoping, o "pequeno timoneiro", foi este grande transformador silencioso da China. Ele empurrou gradualmente a sociedade chinesa, alternando liberalização e repressão, do regime socialista ao hiper-capitalismo, sem jamais ter declarado uma ruptura franca entre os dois.
Vejamos, por exemplo, a imigração chinesa na França. Ela se estende de um bairro a outro, com cada recém-chegado trazendo, um após o outro, todos os seus primos. As celebrações chinesas ganham ano a ano mais importância. Mas esta transição é tão contínua que nós não a percebemos e não a barramos.
São necessárias ferramentas teóricas específicas para compreender a China contemporânea, com este regime hiper-capitalista sob uma redoma comunista apoiada em uma estrutura hierárquico-burocrática. O Partido Comunista Chinês já se transformou muito. A China renovou suas elites, de uma geração à outra, graças às temporadas de estudo e estágios no exterior. Mas ele permanece a estrutura de poder. Uma das minhas grandes admirações é perceber que a China jamais conheceu um outro regime que não a monarquia. Fala-se na China apenas do bom ou do mau príncipe, da ordem ou da desordem. E, mesmo, considera-se que um mau príncipe é melhor do que a anarquia. Há sim momentos em que o poder chinês fracassa, mas eu jamais vi aparecer o ideal de política, no senso das formas-modelo, que vemos sendo debatido por Platão, Aristóteles ou Montesquieu: que constituem regimes distintos, cujas qualidades intrínsecas nós cotejamos.

Como o senhor caracteriza e diferencia os conceitos de universal, de comum e de uniforme?

O universal exprime-se um conceito da razão, emergindo da tradição européia, e se reclama como uma necessidade à priori, confundindo-se com a elevação do pensamento e com a própria ciência. Assinala, assim, uma intransigência inegociável.
O uniforme é um conceito da produção, que se projeta não por necessidade, mas por uma comodidade. A única racionalidade que pode ser atribuída ao uniforme é a da gestão e a da economia. Enquanto o universal apóia-se na ordem da lógica e do prescritivo, o uniforme repousa sobre a imitação. Assim, se o universal suscita ostensivamente a rebelião, aquela da singularidade, o uniforme se contenta em acalmar as resistências ao seu redor e se funde à paisagem. Sua potência é cumulativa: quanto mais ele se propaga, mais ele se impõe. O uniforme produz a estandartização e, assim como o universal, pode ofender o individual ou o singular, chocando-se com a diferença.
O comum é político. Diz respeito àquilo que se compartilha. O comum não é o parecido. Ele é dado por uma noção de pertencenimento, que conforma comunidade, e pode se legitimar em progressão, por extensão gradual, como que delineando níveis sucessivos de comunidade aos quais um indivíduo ou grupo pode ser integrado. Trata-se, portanto, de um termo de dupla face, ao mesmo tempo inclusivo e exclusivo, pois ao incluir determinado perfil, ele pode excluir outro, por negação. A tendência histórico-filosófica do comum é mais forte no sentido de se descerrar do que de se fechar. O comum evolui de um espaço de inclusão e de convergência para um local onde as particularidades se diluem, onde os interesses privados e específicos brandem suas contradições em igualdade de condições, com transparência, possibilitando a emergência do diálogo e da política.

A Declaração dos Direitos do Homem está no plano do universal? Em sua opinião, quais as conseqüências disso?


É o universal que se afirma na Declaração dos Direitos do Homem. O Ocidente tenta impô-la a todos os povos do mundo, independente de sua cultura, como um dever, exigindo subscrição incondicional, padrão que já foi anteriormente forçado goela abaixo dos próprios europeus. A fabricação do "universal" foi excêntrica, nascendo de múltiplos projetos que culminaram na Declaração dos Direitos do Homem de 1789. Objeto de intermináveis negociações e compromissos, o texto final é uma associação de fragmentos, que ignorou os pontos de disputa. Apesar da pressa com que foi feito, alçou-se a um estatuto ideal e necessário, revestindo-se de aura mítica. Mas o fato de ter sido constantemente reescrito, da Constituição francesa de 1793 à Declaração da ONU de 1948, já mostra que a sua suposta universalidade não é um fato consumado. Impostos na época moderna, os Direitos do Homem promovem uma dupla abstração, tipicamente ocidental, que é fonte de contradição: dos "direitos" e do "homem". Ela isola o sujeito, privilegiando a emancipação, consagrada como fonte da liberdade, e, além disso, isola o Homem de seu contexto vital, estabelecendo as dimensões social e política como dependentes de uma construção posterior que garanta sua existência. A ereção do universal desvincula o humano de seu mundo, estabelecendo uma dramática contradição.
Na Índia, por exemplo, não se concebe uma ordem natural da qual o ser humano não faça parte. A integração é estabelecida até a partir dos animais, que para os indianos são dotados do poder de compreensão e de conhecimento e podem já ter sido homens antes de renascerem como bichos. Ali, o homem é tão pouco excepcional que sua vida e morte carecem de significado, sendo destinadas a se repetirem indefinidamente. Não se evidencia um princípio de autoconstituição política a partir das quais os direitos do homem devam ser declarados. Enquanto para o pensamento europeu a liberdade é a última palavra, para o Extremo-Oriente é a harmonia. E sob esse aspecto, a Índia se comunica efetivamente com a China por meio do budismo. Lá, é o Ocidente que produz uma exceção ao introduzir a ruptura que isola o Homem. E, no Islã, o medo do Juízo Final, elemento primeiro da fé, reduz os direitos humanos à insignificância. Claro que hoje a noção ocidental dos direitos humanos existe em países orientais como "enxerto" estrangeiro. Afinal, quando os jovens chineses da Praça da Paz Celestial mobilizam-se, sabem que tipo de mensagem estão transmitindo para o Ocidente. Mas por que os orientais foram praticamente forçados a aprender esse significado e os ocidentais, por sua vez, não compreendem a visão dos orientais?

A Comunidade Comum Européia está no plano do comum ou do uniforme?

Bruxelas é uma máquina de uniformização. Para começar, qual será a língua que falaremos na Europa? Como a Europa será inovadora se ela não levar em conta que boa parte de sua inventividade se deve à pluralidade das suas línguas e culturas? Foi por não cessar de se reinterpretar, de uma língua à outra, começando pelo grego e pelo latim, que a Europa se fecundou e se renovou. Pois este esforço permitiu não apenas a expansão de conceitos, como ainda a relativização de pressupostos de uma cultura a partir de uma externalidade. Foi assim que a filosofia, por exemplo, ganhou uma natureza translinguística, mas também teve acicatada sua criticidade. Na Europa, pensar é também traduzir. Se os filósofos são gregos, a filosofia nasce em Roma. A dispersão das línguas na Europa possibilitou à filosofia uma capacidade de auto-reflexão.
A uniformização, entre outros simulacros, produziu aqueles da concórdia e da paz. Acreditamos nela, porque ela silencia as divergências. Mas não nos enganemos sobre a sua verdadeira natureza: quando a uniformização não responde a fins de pura rentabilidade, é burocrática, absorvida por medidas anônimas, muito mais do que efetivamente democráticas. Uma Europa feita pela uniformização e pela redução das diferenças será estéril e incapaz de se mobilizar. Como empresa de homogeneização, ela relega à heterogeneização as forças mais pobres, menos fecundas, quais sejam, as dobras identitárias e as recusas teimosas daquilo que já não mais aparece como construção incontestável, como construção comum, como uma lógica da História.
Cada época tem a sua forma de resistência, ostensiva ou discreta. Definamos a nossa: o deslocamento, a diferenciação, é o conceito de uma resistência cultural ao mesmo tempo ética e política.
É possível a construção de um novo universalismo capaz de contemplar a diferença, mas sem se diluir na miragem do relativismo cultural?
Sim, e isto pode se dar pela inter-culturalidade, pelo diálogo efetivo entre as culturas. A chance de escapar à pretensão de universalismo aplastante, de um lado, e, de outro, ao abandono relativista das diversas culturas às suas próprias perspectivas singulares e aos seus destinos únicos, é a grande oportunidade da época em que vivemos. Somos a primeira geração à qual a mundialização permitiu viajar mais livremente entre as culturas, no sentido, justamente - em oposição à uniformização estéril -, de poder circular por inteligibilidades diversas para promover, através delas, uma inteligência comum - coisa que não tem nada a ver, bem entendido, com uma cultura única.
Voltemos, como exemplo, aos direitos humanos. Como conceito, como abstração separada da sua cultura de origem, eles podem ser comunicados aos outros povos. Como abstração, os conceitos podem ser manejáveis, identificáveis e transferíveis, tornando-se um instrumento privilegiado de diálogo. A radicalidade conceitual dos direitos humanos está em se apropriar do humano em seu estágio fundamental, enquanto recém-nascido. Esta concepção é transversal e emerge em outras culturas.
O filósofo chinês Mêncio estabelece a consciência da "piedade" como essencial ao humano. Qual homem assiste indiferente à cena na qual uma fera arranca dos braços da mãe uma criança de colo? Na piedade, um indivíduo identifica-se com o seu semelhante. Aqui, ao invés de intersubjetividade, existe transindividualidade, no sentido de que todos os indivíduos estão ligados a uma essência. Para todo o homem, portanto, existe alguma coisa que ele não faz e que ele não pode suportar que aconteça aos outros.
Conhecer o Outro é humanizar e ampliar a moral, restabelecendo a possibilidade de sua refundação e permitindo buscar uma moral que admite a crítica da suspeita.
Assim, como ferramenta de protesto, como instrumento insurrecional, os direitos humanos alcançam uma utilidade mais ampla, abrindo brechas numa totalidade satisfeita, acendendo ou reacendendo nela uma aspiração, dimensão que pode gozar grande utilidade para todas as culturas. Por esta razão, valeria a pena abrir mão da pretensão universal dada em benefício de uma perspectiva universalizante, que sinaliza para a idéia de que o universal está em curso e pode operar como agente promotor, adaptando-se às especificidades culturais. Assim, se deslocaria a questão do teórico para o prático, da verdade para o recurso.
Enfim, um humano desviado por suas diferenças e estabelecido na auto-reflexão não corre, ao contrário do que se poderia imaginar, riscos de se decompor. Pois se permitirá a emergência de um universal liberado dos universalismos instalados aos quais costumamos nos render, destravado das totalidades dadas, desfeito de seus revestimentos ideológicos. Um universal que não cessará de desimpedir renovadamente as condições de possibilidade de um comum sempre ameaçado pelo estreitamento. E, assim, o senso de humano não conhecerá mais limites para crescer e se desenvolver.

Como se processa o diálogo intercultural?

É sobre o plano cultural, mesmo entre os Estados-nação, que se jogam doravante os principais confrontos. A pretensão do Ocidente à universalidade o leva cada vez mais a entrar em conflito com outras civilizações, em particular o Islã e a China. O diálogo emerge aqui como opção e em oposição ao choque. Não se trata, portanto, de afirmar a noção de "identidade cultural" fundada sobre a diferença, e, sobretudo, sobre uma concepção simplista e reducionista que caracteriza as culturas com base em seus traços mais óbvios, o que é inevitável fonte de antagonismos, mas de reconhecer a fecundidade dos distanciamentos e das diferenciações culturais como fonte a ser explorada.
Samuel Huntington, assim, se vale de instrumentos rudimentares de determinismo cultural para alcançar conclusões reacionárias. Por que fundar, por exemplo, a pretensão de uma tradição européia sobre o Cristianismo e não, também, sobre o ateísmo?
Ao contrário, o pensamento contemporâneo está precisamente engajado num dispositivo de auto-reflexão do humano. O humano se reflete - no sentido de se visualizar e de se meditar - quando confrontado ao diverso. Ele se descobre por meio das facetas iluminadas e desdobradas pelas múltiplas culturas, na tradução de sentidos entre uma língua de partida e uma língua de chegada, na des- e na re-categorização de tradições de pensamento.
O diálogo é uma estrutura eficiente e operante que obriga cada uma das partes a re-elaborar suas concepções. Mas em qual língua se daria este diálogo? Digo, sem temer o paradoxo: cada um dialoga na sua língua de origem, mas traduzindo à outra. A tradução obriga a re-elaborar conceitos do Outro no seio de sua própria língua, portanto a reconsiderar seus próprios implícitos, para torná-los disponíveis à eventualidade de um sentido alternativo. Longe de ser uma deficiência, como obstáculo e fonte de opacidade, é a necessidade de traduzir que faz trabalhar as culturas entre elas mesmas. A tradução, a meu ver, é a única ética possível do mundo global que vem aí. É por isso que penso serem os tradutores profissionais-chave no mundo que estamos construindo.

Uma sociedade pode erguer-se a partir da espinha da inter-culturalidade?

Talvez o Brasil seja um país que não apenas faz permanentemente um diálogo intercultural com o exterior, como ainda tenha efetuado um diálogo intercultural interno. Ali as fronteiras entre a cultura popular e a cultura erudita parecem ser tênues. Da mesma forma, o país parece estabelecer pouca resistência às influências culturais exógenas, o que não implica numa descaracterização local ou numa vassalagem. Estímulos internos e externos parecem estar em permanente estado de fusão.

Qual a função do intelectual na sociedade contemporânea?

Na era da mundialização, o engajamento do intelectual não é mais o do posicionamento extremado, em busca de uma radicalidade de princípios, que conduz ao antagonismo de posições. Mas consiste em revelar por quais vias aquilo que parece ruim, ou mau, aquilo que conforma a alteridade, encerra fontes inexploradas ou invisíveis para a descoberta de uma fecundidade possível e cooperativa. E, ainda, num movimento inverso e complementar, em incentivar a diferenciação do pensamento, rearranjando as possibilidades do dissenso de forma a trabalhar ao encontro do consenso, no qual o pensamento, quando não inquirido, está sempre ameaçado de adormecer e de se estiolar.

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Gunter Axt nasceu em Porto Alegre, em 1969. Bacharelou-se em História pela UFRGS, onde também defendeu dissertação de mestrado, em 1995. Doutorou-se em História Social pela USP, em 2001. Desenvolveu pós-doutorado junto ao CPDOC da FGV-RJ e foi professor visitante na Université Paris VII, Denis Diderot. Foi consultor de várias instituições, dentre as quais o Poder Judiciário e o Ministério Público do RS, o Conselho da Justiça Federal e o Supremo Tribunal Federal. É pesquisador associado do Laboratório de Estudos da Intolerância (LEI), da USP. Escreve regularmente em revistas de cultura e política, de São Paulo e de Porto Alegre. Entre artigos, livros e capítulos de livros, publicou diversos títulos, tendo se especializado gestão cultural e em história política, econômica, judiciária e cultural do Brasil.

www.gunteraxt.com

Pela amostra, o debate de dia 5 de Dezembro promete ser bem animado...

Ver: http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/questao-da-galiza-historia-da-galiza-5.html

No próximo Domingo, a NOVA ÁGUIA regressa ao Brasil...

sábado, 21 de Novembro de 2009

Diário da NOVA ÁGUIA: 20 de Novembro...


Foi uma sessão concorrida, na Livraria Bertrand da Avenida de Roma – em mais um lançamento da obra do António José Borges, de olhos lavados. Após o de quarta-feira, na Associação Agostinho da Silva – em conjunto com a apresentação d’ A verdadeira história de Aladino, de Rodrigo Sobral Cunha, como aqui demos conta – e antes da sessão a realizar-se no dia 28 de Novembro, na Embaixada de Timor – como, em breve, noticiaremos…

(na livraria Bertrand, António Carlos Cortez e António José Borges)
Não pudemos ficar até ao fim porque havia mais um lançamento da NOVA ÁGUIA, desta vez no Centro Cultural de Oeiras. Sessão igualmente concorrida, com várias perguntas no final, que se estendeu depois a um convívio…

(no Centro Cultural de Oeiras, antes do início da sessão)

(no convívio que se seguiu: em grande plano, José Lança-Coelho e Miguel Real)

Lá regressaremos. Ficou a promessa...

13º COLÓQUIO DA LUSOFONIA (5º ENCONTRO AÇORIANO)

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caros colegas
gostávamos de o/a ter presente em Florianópolis, Santa Catarina, Brasil no 13º COLÓQUIO DA LUSOFONIA (5º ENCONTRO AÇORIANO) e pedimos que nos envie uma proposta de trabalho a apresentar

ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES ATÉ DIA 1 JANEIRO DE 2010 PARA O 13º COLÓQUIO DA LUSOFONIA (5º ENCONTRO AÇORIANO) QUE TERÁ LUGAR de 5 a 9 de abril 2010 NO

Consulte já a nossa página 5º Encontro Açoriano 2010 (Sta Catarina Brasil) http://www.lusofonias.net/encontros%202010/index.htm

HOJE, ÀS 15 HORAS, EM MONTEMOR-O-NOVO

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57. O ciclo de simpósios dedicado aos 12 Teoremas do 57 - Actualidade dos Teoremas do Movimento de Cultura Portuguesa, que os Cadernos de Filosofia Extravagante têm vindo a organizar, ao longo do corrente ano, na Livraria Fonte de Letras, em Montemor-o-Novo, regressa no próximo dia 21 Novembro, às 15 horas. Será o terceiro encontro desta série, e nele participarão, como apresentadores, António Carlos Carvalho (teorema do Teatro), Cynthia Guimarães Taveira (teorema das Artes Plásticas) e Luís Paixão (teorema da Arquitectura).

Cada interlocutor convidado apresentará durante dez minutos o seu teorema.

Finda a apresentação iniciar-se-á o debate alargado a todos os convivas do simpósio.

A anteceder a realização do simpósio, os teoremas respectivos serão aqui publicados.

Para ver: http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2009/11/57.html

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Lançamento de "As mais belas Orações", 2ª, dia 23, às 21.30




Divulgo o convite para o lançamento do livro "As Mais Belas Orações", de Paulo Aido, com a presença do autor e apresentação de Marcelo Rebelo de Sousa, que representarão o cristianismo. Participarão ainda representantes das outras quatro religiões presentes no livro:

Esther Mucznik (vice-presidente da Comunidade Judaica)
Narana Coissoró (Comunidade Hindu)
Paulo Borges (presidente da União Budista Portuguesa)
Sheikh Munir (líder da Comunidade Islâmica de Lisboa)

Livraria Bertrand, Picoas Plaza (Rua Tomás Ribeiro, Lisboa), na próxima segunda-feira, dia 23, pelas 21:30.

O diálogo inter-religioso é um dos grandes desafios do nosso tempo.

"A Arte de Viver Hoje"

"Ser outro, parecer diferente,
Não falar como outra gente,
Louvar tudo, tudo aceitar,
Mentir sempre e bem ficar,
A todo o vento dar pano,
Servir bons, maus, mano a mano,
Fazer tudo, tudo inventar
Com vista a sempre ganhar:
Quem dominar esta arte,
Na política hoje tem sorte"

- Friedrich von Logau (1604-1655), in O Cardo e a Rosa - Poesia do Barroco Alemão (tradução de João Barrento).

Pensamentos

(...) quando se perde humanidade, não vale a pena ser filósofo.

O que se quer é a totalidade de um homem
em potência lutando pela totalidade do
homem em acto.

Agostinho da Silva

(...)
Uma língua é o lugar onde se vê o mundo
e de ser nela pensamento e sensibilidade.
Da minha língua vê-se o mar.
(...)
Por isso a voz do mar foi em nós a da nossa inquietação.

Vergílio Ferrreira

“Comecemos de hoje em diante a viver, como quereríamos ter vivido na hora da morte. Vive assim como quiseras ter vivido quando morras”

- Padre António Vieira, Sermoens, 1 (editio princeps).

Prémio Revelação em Literatura Infantil e Juvenil Matilde Rosa Araújo



Era uma vez... um mundo

“Um grupo de jovens finalistas do Secundário, um orientador, uma escola, muitos amigos e... o mundo. No mundo, do mundo e para o mundo, num misto de culturas, pensamentos, emoções e atitudes nasce uma vontade – mostrar que a tolerância facilita o diálogo.” (Paula Viotti, OLHA edições)

A OLHA Edições tem a honra de anunciar que o seu primeiro livro "Era uma vez... Um mundo" foi agraciado com o Prémio Revelação em Literatura Infantil e Juvenil Matilde Rosa Araújo, para o qual se tinha candidatado no passado mês de Junho.

Este livro foi desenvolvido no Colégio Marista de Carcavelos, sob a coordenação do Professor António Coelho.

Em nome da OLHA, e como parceira do projecto, envio aos autores e co-autores o meu abraço de parabéns.

Paula Viotti

Directora da OLHA Edições

HOJE, 144º LANÇAMENTO DA NOVA ÁGUIA...

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20.11.09 - 21h00: Centro Cultural de Oeiras

AUDITÓRIO CÉSAR BATALHA, NO CENTRO COMERCIAL DO ALTO DA BARRA

Com a presença de Miguel Real e Renato Epifânio

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Próximo título da Colecção NOVA ÁGUIA...



Dia 12 de Dezembro, em Amarante, mais um lançamento da NOVA ÁGUIA 4

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12.12.09 - 15h00: Biblioteca Ilídio Sardoeira (Amarante)

Com as presenças, já confirmadas, de António Mega Ferreira, Carlos Magno, Pedro Baptista e Salvato Trigo.

"Busca a tu complementario, / que marcha siempre contigo, / y suele ser tu contrario"

- Antonio Machado, "Proverbios y Cantares"

1 de Dezembro...






O Código de Portugal: “MENSAGEM” faz 75 anos

Passam no próximo 1º de Dezembro 75 anos da publicação da primeira edição da
"Mensagem" de Fernando Pessoa, o único livro de poemas em português que
publicou em vida. E tal sucedeu exactamente na data que de propósito
escolheu (1 Dez. 1934) para o efeito, por ver nessa edição um sinal de uma
“Restauração” espiritual e o emblema da sua preocupação patriótica.

Para assinalar esta importante efeméride a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas e a Câmara Municipal de Lisboa, promovem uma sessão comemorativa no próximo dia 1 Dezembro no anfiteatro da BNP, contando o programa com a presença dos escritores Eduardo Lourenço, Manuel Alegre, Vasco Graça Moura e do actor Luís Lucas.

Nessa sessão a Guimarães Editores em parceria exclusiva com a FNAC, vai lançar uma edição da "Mensagem" facsimilada do dactiloescrito original, que faz hoje parte do espólio de Fernando Pessoa à guarda da BNP, constituindo um documento de grande significado cultural, histórico e simbólico de Portugal, e que pela primeira
vez vai estar à livre disposição dos portugueses. Em complemento, no átrio da BNP estará patente uma exposição de materiais autógrafos referentes à “Mensagem” que fazem parte do espólio pessoano, organizada por Jerónimo Pizarro.

Ainda no âmbito do programa da comemoração dos 75 anos da “Mensagem” realizar-se-ão na FNAC Chiado e na Casa Fernando Pessoa debates moderados por Carlos Vaz Marques (dias 2 e 9 de Dezembro - ver programa anexo) dedicados ao poema mítico nacional, contando com algumas das mais relevantes personalidades da cultura portuguesa.


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Contamos, desde já, com a vossa colaboração na divulgação desta iniciativa.

Com os melhores cumprimentos


Mónica Félix


Contactos:
Luís Vilaça 96 027 50 34 email : lvilaca@netcabo.pt
Rui Morais e Castro 96 286 26 57 email : rui.moraisecastro@guimaraes-ed.pt
Guimarães Editores 21 324 31 20

MENSAGEM
Fernando Pessoa
1934 75 ANOS 2009
TER. (Feriado) 1 DEZ.09 17H30
Biblioteca Nacional de Portugal
SESSÃO COMEMORATIVA
 Palavras de Abertura
Jorge Couto (Director-Geral, BNP)
Paula Morão (Directora- Geral, DGLB)
Catarina Vaz Pinto (Vereadora da Cultura, CML)
 Comunicação
Eduardo Lourenço
 Poemas da “Mensagem” na voz do actor Luís Lucas
 I. DEBATE
Pessoa e o sonho do supra-Camões
Moderado por Carlos Vaz Marques com a presença de:
o Eduardo Lourenço
o Manuel Alegre
o Vasco Graça Moura
 Lançamento da edição da “Mensagem” clonada do original de Fernando Pessoa Apresentação:
o Jorge Couto (Director da BNP)
o Paulo Teixeira Pinto (Guimarães Editores)
o David Ferreira (FNAC Portugal)
QUA. 2 DEZ.09 18H30
FNAC Chiado
II. DEBATE
 “- É a hora!” O sentido da “Mensagem”
Moderado por Carlos Vaz Marques com a presença de:
o Paulo Borges
o Manuel Gandra
o Miguel Real
QUA. 9 DEZ.09 18H30
Casa Fernando Pessoa
III. DEBATE
 “Mensagem”, o Poema, o Prémio e o Estado Novo
Moderado por Carlos Vaz Marques com a presença de:
o José Blanco
o Richard Zenith
o José Carlos Seabra Pereira

Congresso Internacional «Representações da República»

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Decorre até ao dia 30 de Novembro de 2009 o 2º «call for papers» do Congresso Internacional «Representações da República». Toda a informação pode ser obtida no site do Congresso através da página da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas(http://www.fcsh.unl.pt)ou/ da página do Centro de História da Cultura(http://www2.fcsh.unl.pt/chc).

Próxima terça, em Lisboa...





«Ao todo são vinte e duas as personagens, tantas quantos os arcanos maiores, todos desempenham um papel arquetípico neste pequeno teatro familiar que se desenrola em parte na Serra de Sintra, onde as flores são de plástico, o boi é o hierofante e o quotidiano pode ir do mais extraordinário ao mais banal, como a passagem dos ciclistas, uma ópera, um casamento, uma peça de teatro, uma investigação, uma morte, uma gravidez, a vida, o eterno teatro.»

O Sol do Tarot de Sintra (Indícios de Oiro) é uma ficção de Risoleta C. Pinto Pedro que parte das pinturas de Frederico Mira George. A obra será apresentada por Paulo Borges dia 24 de Novembro pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa. Com leituras por Luiza Dunas, haverá ainda a interpretação de duas peças musicais pela pianista Vera Prokic, e um apontamento de dança pelo bailarino Pedro Paz.

Sexta-feira...

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Exmo(a). Senhor(a),

A livraria Bertrand Roma e o escritor António José Borges têm a honra de convidar V. Ex.ª para a Sessão de Apresentação do seu primeiro livro de poemas de olhos lavados, publicado pela Lidel – Edições Técnicas.

A apresentação da obra será da responsabilidade de António Carlos Cortez (Crítico Literário).

O evento realizar-se-á no dia 20 de Novembro, pelas 17h30, na livraria Bertrand Roma (Av. de Roma, 13 B - Lisboa)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Algumas fotos do lançamento duplo de hoje...


(durante a sessão: Elsa Rodrigues dos Santos, em pé; na mesa, António José Borges, Ana Paula Tavares, Rodrigo Sobral Cunha e Renato Epifânio)


(António José Borges, autografando o seu livro: "de olhos lavados")


(Rodrigo Sobral Cunha, autografando o seu livro: "A verdadeira história de Aladino e a lâmpada maravilhosa")
P.S.: Os nossos agradecimentos à Paula Viotti e ao José Pires F., pelas fotos.

UAb lança obra do Prof. Doutor Filipe Zau sobre a Educação em Angola

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Educação em Angola: Novos Trilhos para o Desenvolvimento é o terceiro título da autoria do diplomata e investigador angolano Prof. Doutor Filipe Zau. O lançamento da obra terá lugar no dia 23 de Novembro de 2009, pelas 18h30, no Salão Nobre da Universidade Aberta, em Lisboa, numa cerimónia que contará com a presença do escritor e jornalista angolano Mestre João Melo; do Reitor da UAb, Prof. Doutor Carlos Reis; da Vice-Reitora da UAb, Profª Doutora Carla Oliveira; e do Pró-Reitor para o Reordenamento Institucional, Prof. Doutor João Caetano, que fará a apresentação do livro.

Inserida no contexto da tese de doutoramento do autor, a obra tem como objecto de estudo a formação de professores em Angola e a sua importância para o desenvolvimento sustentado do país, num mundo globalizado.

Como refere o Prof. Doutor Filipe Zau nas reflexões finais, “para que o desenvolvimento sustentado e endógeno de Angola seja irreversível é indispensável investir na formação de formadores, para todos os níveis, graus e contextos de aprendizagem, para qualificar os formandos, maioritariamente menores de 20 anos, que devem aprender a executar as suas tarefas de forma simples e, se possível, lúdica”.

Segundo o especialista, “a TV, a rádio e os outros media, bem como a investigação e o ensino superior podem e devem contribuir muito activamente para o registo, tratamento e difusão dos riquíssimos acervos culturais e linguísticos de Angola. Os referidos meios devem agir de igual modo relativamente à língua oficial e de escolaridade e da língua estrangeira, de preferência o Inglês, tanto no ensino/aprendizagem presencial como a distância. Esta última língua dá acesso às NTIC’s e ao desenvolvimento científico e tecnológico de ponta”.

O Prof. Doutor Filipe Zau é membro do Grupo Técnico para as Questões Económicas e Sociais do Secretariado do Conselho de Ministros, função que exerce paralelamente à de Consultor do Ministro da Educação. Foi Adido Cultural da Embaixada de Angola em Portugal e Assessor para os Assuntos de Educação, Cultura e Desportos do Secretariado Executivo da CPLP.

Na sua carreira académica consta o Doutoramento em Ciências da Educação, na Especialidade de Multiculturalismo e Interculturalidade, pela Universidade Aberta e o Mestrado em Relações Inter-Culturais, também pela UAb.

Antes de “Educação em Angola: Novos Trilhos para o Desenvolvimento”, publicou “Marítimos Africanos de um Clube com História” e “Angola: Trilhos para o Desenvolvimento”.

CONTACTO PARA A IMPRENSA: Denise Henriques | 969 053 669 | 213 916 436 | deniseh@univ-ab.pt.

"E como toda a terra é sinónimo de Portugal..." ou de como ser português é ser cidadão do mundo

"[…] Tubal, como dizem todos os intérpretes daquela primeira língua (que era a hebraica) quer dizer: Orbis, et mundanus: Homem de todo o mundo; homem de todo o orbe; homem de toda a redondeza da terra. Pois de todo o mundo, de todo o orbe, de toda a redondeza da terra um homem ? Sim: porque este homem era o primeiro fundador de Portugal, era o primeiro português, era o primeiro pai dos portugueses: aqueles homens notáveis, que não haviam de ser habitadores de uma só terra, de um só reino, de uma só província, como os outros homens: senão de todo o mundo, de todo o orbe, de todas as quatro partes da terra. E assim como o romano se chama romano, porque é de Roma; e o grego se chama Grego, porque é de Grécia; e o alemão, porque é de Alemanha, assim o português se chama Mundanus, porque é de todo o mundo, e se chama Orbis, porque é de toda a redondeza da terra. E como toda a terra é sinónimo de Portugal […]”

- Padre António Vieira, Sermão Gratulatório e Panegírico pregado na manhã de dia de Reis [1669].

Também publicado em:

umoutroportugal.blogspot.com
serpenteemplumada.blogspot.com

“A Cultura Primeiro”

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Ter como princípio “A Cultura Primeiro” não significa defender “apenas a Cultura” ou que “só a Cultura nos interessa”. Seguindo o bom exemplo de Agostinho da Silva, defendemos que a Cultura começa pelo Direito à Alimentação, à Saúde, à Habitação, enfim, pelo Direito a uma Vida Digna. Mas é essa visão cultural – sobre o país e sobre o mundo – o nosso sinal distintivo. Ao contrário de todos aqueles, cada vez mais, no país e no mundo, que subordinam tudo à Economia – “It’s the economy, stupid!" – nós defendemos que todas as decisões que afectam a vida dos portugueses se devem sustentar numa visão cultural do país.

É essa visão que faz falta a este país. Actualmente, temos uma Esquerda que, ainda refém das culpas que teve da descolonização que fez, com todas as guerras civis que gerou, vive ainda a sua provinciana paixão europeísta, virando por completo as costas ao mar, à nossa vocação atlântica… Do outro lado, temos uma Direita que, ainda refém das culpas que teve na colonização que sustentou, acha que a nossa vocação atlântica se cumpre no seguidismo em relação à Administração Norte-Americana...

Importa pois que o MIL se assuma como essa voz necessária, tanto mais necessária porquanto essa voz não existe, publicamente, de forma estruturada. No plano político, nomeadamente, não há nenhum partido que assuma essa visão cultural do país: à esquerda, porque se continua a considerar, apesar de toda a retórica, que Cultura é o que vem da Europa, em Paris de particular (não por acaso, o Manuel Maria Carrilho, tido como o grande ministro da Cultura do pós-25 de Abril, tinha como modelo o Jack Lang…); à direita, porque se continua a defender, igualmente apesar de toda a retórica, que tudo deve ser decidido, em última instância, pelo Deus-Mercado…

Ao defender que a Língua e a Cultura devem ser o eixo de toda a Política, ao contrário do que acontece actualmente, em que a pasta da Cultura é a menos importante de todas, não vamos certamente defender que o orçamento da Cultura passe a ser financeiramente maior do que o da Saúde ou o da Segurança Social. Não é disso, como é óbvio, que se trata. Trata-se apenas de defender que todas as políticas sectoriais se devem subordinar a essa visão axialmente cultural do país…

Agora é pois a hora de surgir essa voz. Uma voz liberta dessas culpas e desses traumas, tão liberta que nem sequer pretende acusar alguém. A História foi o que foi. É tempo de, finalmente, olharmos para o Futuro…

Também publicado no MILhafre: http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/cultura-primeiro.html

Grupos de trabalho do Manifesto "Refundar Portugal" e novo blogue Outro Portugal




Está constituída a lista provisória de inscritos nos grupos de trabalho do Manifesto "Refundar Portugal", ainda aberta a quem o desejar. Podem consultar a página do grupo no facebook

http://www.facebook.com/topic.php?uid=161502509390&topic=11768#/group.php?gid=161502509390&ref=ts

ou então no blogue umoutroportugal.blogspot.com

Quem desejar colaborar nos grupos e no blogue envie um mail para pauloaeborges@gmail.com

Recordo que o objectivo é que cada grupo elabore um documento sintético (2 páginas) onde resuma as propostas essenciais em cada área e os meios da sua implementação. Daí surgirá um texto conjunto que será apresentado em público à comunicação social, como plataforma de um movimento de intervenção cívica e cultural a lançar no início de 2010.

Saudações Amigas

HOJE, NA ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA, ÀS 18H30, LANÇAMENTO DUPLO

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"de olhos lavados", de António José Borges

"A verdadeira história de Aladino", de Rodrigo Sobral Cunha

Entrada livre!


(Rua do Jasmim, 11, 2º; junto ao Príncipe Real)

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Para a nova Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas

Tenho andado curioso por alguma declaração tua, que desvele um indício de um programa, mas já percebi que essa declaração não chegará. Limitaste-te a demarcar-te da suicidária declaração inicial do anterior Ministro – “podemos fazer mais com menos recursos” – e a lembrar o hipócrita acto de contrição do Primeiro-Ministro, que, na campanha eleitoral, instado a reconhecer “um erro na sua governação”, falou de uma “insuficiente aposta na Cultura”. Toda a gente sorriu…

Os jornais, coitados, sem essa declaração, viram-se obrigados a falar do teu bom aspecto – serias a “cara bonita” do Governo. E também houve, dada a tua formação, quem garantisse que tu foste convidada para nos dar música. Como se isso não fosse a missão de todos os ministros e do primeiro-ministro em particular: alimentar ilusões sem defraudar expectativas…

Não tenho dúvidas que, para certo tipo de actividades, são precisos (fartos) recursos financeiros. E que, a partir de certo ponto, não há milagres: não se pode fazer mais com menos. Também sei que o Ministério da Cultura tem uma série (alta) de custos fixos com alguns lobbys, que é preciso subsidiar, para não falarem muito alto. Não estou contudo certo que fosse benéfico um aumento do orçamento da Cultura para a mítica cifra de 1%. E olha que quem te diz isto é alguém que acha que a pasta da Cultura é a mais importante. Provavelmente, esse acréscimo orçamental seria desbaratado em fogo-de-artifício, no oblívio, como quase sempre acontece, do que mais importa…

Dada a tua centração na questão orçamental, já imagino o teu discurso de despedida: “Não tive recursos para fazer mais”. Nesse dia, escrever-te-ei outra carta. A lembrar tudo o que podias ter feito e não fizeste. E sem qualquer custo. Não imaginas o quê? Pois eu digo-te: basta uma muito criteriosa presença em actos culturais para definir uma política. Se um dia alguém dissesse de ti – “ela só aparecia quando era realmente importante, mesmo, e sobretudo, quando não era muito vistoso” –, esse seria o teu melhor epitáfio político. Se quiseres, posso dar-te umas dicas. De graça…

Também publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/para-nova-ministra-da-cultura-gabriela.html

Próxima terça...


Em breve, no sítio da Associação Agostinho da Silva...

(www.agostinhodasilva.pt)
Onde já estão dezenas de obras disponíveis...

Portugal, Europa e Ocidente: o enigma do "olhar esfíngico e fatal"



- Gustave Moreau, Édipo e a Esfinge.

“A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal”

- Fernando Pessoa, “O dos Castelos”, Mensagem.

É com este poema que Fernando Pessoa abre a Mensagem, cujo nome cifra o dizer latino: Mens ag(itat) (mol)em – o pensamento/a inteligência/a mente impele/põe em movimento a massa(matéria)/multidão. O presente poema deve pois ser considerado como o primeiro momento disso que todo o livro pretende e anuncia ser: mover e orientar numa determinada direcção a massa passiva e inconsciente das coisas e/ou da mole humana, que tem a potencialidade de deixar de o ser, despertando do sono que a equipara à matéria e pondo-se a caminho de um estado superior àquele em que se encontra.

De quem fala o poema e o que diz? O poema fala da Europa, figurada, de acordo com as sugestões do seu mapa, como um ser, porventura feminino, que “de Oriente a Ocidente” se deita, apoiado “nos cotovelos”, “fitando”, ou seja, olhando fixamente para um alvo diante de si. Um dos cotovelos pousa na Itália e o outro na Inglaterra, sendo este que sustenta a mão “em que se apoia o rosto”, onde a moldura romântica dos cabelos evoca “olhos gregos”. Esse rosto, “o rosto com que fita”, “é Portugal”, o finistérreo extremo-ocidente europeu, voltado para o Oceano.

O que fita esse rosto-Portugal e como o fitam os seus “olhos gregos”? O seu “olhar esfíngico e fatal” fita “o Ocidente, futuro do passado”. Uma esfinge é um monstro, com um corpo misto de vários animais e rosto humano, como no Egipto e na Grécia, enquanto um “olhar esfíngico e fatal” é um olhar que expressa um enigma sempre letal, pois estrangula (sphingo) e devora quem não o decifrar, ao mesmo tempo que se suicida caso a decifração aconteça, como no Édipo Rei, de Sófocles. Portugal é assim a feição humana de um monstro, que se estende de Oriente a Ocidente contemplando fixamente o Ocidente/Oceano. O Ocidente, do latim occidens, entis, é o particípio presente do verbo occidere, o qual, se for intransitivo, significa morrer e, se for transitivo, significa matar. O Ocidente é assim o lugar onde se morre ou se é morto, como acontece com o sol que aparentemente aí declina e desaparece. Esse lugar é também o Oceano, o Okeanos que os gregos visionavam como o grande rio caótico e turbilhonante que corria circularmente em torno do mundo. Em qualquer dos casos, o Ocidente e o Oceano, para além da sua determinação geográfica, assinalam o aparente limite da terra firme do conhecimento e da vida, figurado na linha igualmente aparente do horizonte, cuja etimologia grega (orizón) designa “o que limita”. É isso o “futuro do passado” e é isso que a Europa-Esfinge, que “jaz […] / De Oriente a Ocidente”, “fita” com o rosto-Portugal.

Este confronto configura uma situação-limite, na qual uma das instâncias do confronto – Portugal, rosto da Europa, e o Ocidente/Oceano, “futuro do passado” – não pode sobreviver. O rosto-Portugal fita, ou seja, foca unidireccionadamente, concentrando toda a energia do desejo numa visão intensa, isso que está diante de si, esse Ocidente/Oceano/Horizonte ignoto que é o “futuro” desse “passado”-Europa a que Portugal ainda pertence, porém já na condição anfíbia de finistérrea ponta extrema, lançada para o alvo da alteridade absoluta, irredutível a qualquer identidade europeia, ocidental ou outra. Rosto humano da monstruosa Esfinge-Europa, que aqui pode figurar todo o próprio “passado” euroasiático da história do mundo, ou tudo o que ela mesma aspira a ultra-passar em si, Portugal figura o descentramento da história, da vida e da consciência europeia, e/ou da própria consciência, para o desenlace crucial do morrer ou matar que no Oceano/Ocidente se simboliza.
Não esqueçamos que nesta descrição da Europa se destacam explícita e implicitamente os quatro momentos-figuras histórico-civilizacionais que Pessoa identifica nos quatro impérios “passados” e perecíveis cuja superação o Quinto Império simboliza: “E assim, passados os quatro / Tempos do ser que sonhou, / A terra será teatro / Do dia claro, que no atro / Da erma noite começou. // Grécia, Roma, Cristandade, / Europa – os quatro se vão / para onde vai toda idade. / Quem vem viver a verdade / Que morreu D. Sebastião?” (“O Quinto Império”). No poema inaugural da Mensagem, a Grécia está representada pelos “olhos gregos”, Roma e a Cristandade pela Itália e a Europa por si mesma e pela Inglaterra, que personifica o quarto império noutros textos, em prosa, de Pessoa.

O mais fundo enigma reside, contudo, no facto de Portugal ser o “rosto”-“olhar esfíngico e fatal” com que a Europa fita o Ocidente. O que quer dizer que o enigma mortal não está propriamente diante, no Ocidente/Oceano, mas antes nesse que os fita. Portugal-rosto da Europa é o próprio esfíngico enigma, que, numa inesperada inversão da situação aparente, é suposto ser também contemplado pelo Ocidente/Oceano. Quem levará quem à morte? Paralisará e devorará Portugal-rosto da Europa o Ocidente/Oceano, caso este não decifre o enigma que transporta? Porá Portugal-rosto da Europa fim à vida, caso o Ocidente-Oceano o decifre? Morrerá o futuro e a alteridade às mãos do passado e do mesmo ou serão antes estes a perecer perante aqueles?

Toda a lógica e intencionalidade da Mensagem e do pensamento pessoano apontam para a segunda possibilidade. E tudo se esclarece se considerarmos que em Portugal se figura a impossível coexistência das duas figuras e a encruzilhada crucial na qual uma tem de ser sacrificada. Talvez seja precisamente esse o enigma. Tudo depende do que vai predominar em Portugal e, a um nível mais fundo, na possibilidade universal do homem e da consciência que Portugal aqui figura (como Israel, a Cristandade ou o Islão nas respectivas culturas): ou a asfixia e deglutição da adveniente alteridade pela monstruosa mesmidade passada ou o autocolapso desta no desentranhamento e desvendamento do secreto fito a que no mais íntimo aspira - morrer e devir, autotranscender-se trespassando a linha do horizonte e revelando a sua mera aparência, converter e revelar o limite como limiar. Ou o quarto ou o Quinto Império.

(texto em elaboração)

"Chá Cultural com Agostinho da Silva"

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13 de Dezembro, no Centro Cultural do Mindelo, em São Vicente, Cabo Verde

(em breve daremos mais pormenores)

Palestra sobre a viagem comemorativa dos 400 anos do nascimento do padre António Vieira

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Caros Amigos,

Pelas 19 horas, no Instituto Camões de Brasília, palestra sobre a viagem comemorativa dos 400 anos do nascimento do padre António Vieira, CRUZEIRO HISTÓRICO IDENTIDADE E CIDADANIA.
Outras emoções no blogue www.antonioabreufreire.bloguepessoal.com
A partir de 19 de Nevembro, por terras da Bahia.

Abraço
A de Abreu Freire

2 de Dezembro, no Porto...




segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

28ª Feira do Livro de Brasília...

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A 28ª Feira do Livro de Brasília acontece de 20 a 29 de novembro no Pátio Brasil (Avenida W3 Sul) e homenageia Timor-Leste em solenidade cívica e cultural no dia 28 de novembro, sob a coordenação de Victor Alegria, Editor da Thesaurus.

A programação é imensa e variada, mas destaco 3 momentos culturais que envolvem a Lusofonia, sob a coordenação de Lúcia Helena Sá:

Dia 26/11: relançamento do livro Os Painéis de D. Afonso V e o Futuro do Brasil, de José Luís Poças Leitão Conceição Silva, no Café Literário, das 17:00 às 18:00

Dia 29/11: Lançamento do nº4 da revista Nova Águia, no Café Literário, das 17:30 às 18:30, que contará com a presença dos professores e poetas João Ferreira e Santiago Naud.

Dia 29/11: "Convergência da Língua Portuguesa", no Espaço Athos Bulcão, das 19:30 às 22:00, contando com a presença do Embaixador do Timor-Leste Domingos de Sousa, Amândio Silva, Carmem Batista (Mestra em História da África) e Amon Coti François (Conselheiro Cultural da Costa do Marfim).

MIL: NOVO BLOGUE, NOVO DEBATE, NOVA RECOLHA DE LIVROS

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O MIL TEM AGORA UM BLOGUE:
www.mil-hafre.blogspot.com

Caso queira participar, envie-nos um e-mail para adesao@movimentolusofono.org

EM POUCOS DIAS, JÁ COM MAIS DE MIL VISITAS...




4 de Dezembro...




26, 27 ,28 e 29 de Novembro 2009

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Festival Musidanças
Músicas do Mundo

O Musidanças é um Festival que tem como missão promover e incentivar o trabalho dos artistas de origem portuguesa, angolana, brasileira, moçambicana, cabo-verdiana, são-tomense, guineense e timorense e estabelecer parcerias com entidades envolvidas em projectos lusófonos, visando reconhecer, apoiar e promover o encontro entre estas culturas.

Idealizado e realizado em 2001 pelo cantor e compositor angolano, Firmino Pascoal, o Musidanças já faz parte do roteiro cultural da grande metrópole e recebe convidados, vindos de vários países, tendo como ponto comum a Língua Portuguesa.

O Musidanças é um dos movimentos responsáveis pela apresentação e revelação de muitos artistas, hoje reconhecidos no panorama nacional e internacional, como Guto Pires, Terranaçom, Braima Galissa, Pedro Moreno, FernandoTerra, Lindu Mona, Celina Pereira, Nancy Vieira, Theo Pascal, Grupo Batuque, Voz de África, Sara Tavares, Melo D, Maré Nostrum, Daskarieh, Terrakota, Francisco Naia, Ngoma Makamba, Dama Bete e muitos outros.

Neste seu nono ano de existência, o festival conta com o apoio de mais de 50 Instituições e Organizações, que promovem a difusão da dança, da poesia, da arte e da música cantada por intérpretes de Língua Portuguesa e realizar-se-á no espaço - o TamborQFala, Sede do projecto Tocá Rufar nos dias:

26, 27 ,28 e 29 de Novembro 2009

No seguimento da consciência cívica do festival Musidanças, 10% da bilheteira serão entregues a instituições de solidariedade social.

Contactos

Tocá Rufar
tocarufar@tocarufar.com
Tel.: 212269090
Fax. 212269089

ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO TOCÁ RUFAR

Rua José Vicente Gonçalves, 8J - Parque Industrial do Seixal
2840 - 068 Aldeia de Paio Pires, Seixal
(coordenadas GPS: 38"36'01.13" N 9"04'19.95" W)

Director Artistico
Firmino Pascoal

Em breve, na colecção NOVA ÁGUIA...


ESTA QUARTA, NA ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA, ÀS 18H30, LANÇAMENTO DUPLO

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"de olhos lavados", de António José Borges

"A verdadeira história de Aladino", de Rodrigo Sobral Cunha

Entrada livre!

Uma pátria resiste a muitas coisas e nutre-se de tudo o que a ataca, mas a custo sobrevive aos patriotas

A SITUAÇÃO CULTURAL ACTUAL E OS DIREITOS HUMANOS

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1. Uma Noção de Cultura

Tomando como referência a multiplicidade de concepções do mundo e da vida, o conceito de cultura está em permanente evolução, recriando-se permanentemente, não sendo um conjunto imobilizado de valores e práticas. Afastada, para muitos, qualquer veleidade de definição, convém, todavia, por razões de ordem prática, proceder a uma tentativa de delimitação do seu significado, tarefa difícil e eventualmente inglória. Caracteriza-se, desde logo, por tudo o que é humano e pode ser transmitido, tudo o que tem valor espiritual e, ao mesmo tempo, adquire relevância colectiva, tudo o que está relacionado com obras de criação humana, em oposição à natureza, englobando todas as coisas ou operações que a natura não produz e que lhe são adicionadas pelo espírito. Num sentido mais restrito, é uma realidade artística, intelectual e erudita de feição humanista, correspondente ao universo das artes e das letras, uma cultura superior, de espíritos de eleição, mais rica de conteúdo e de forma, cujas expressões, quanto mais criativas e vanguardistas no momento, mais se aproximam do mundo ideal e se afastam do que é tido como norma da ordem real. Numa acepção mais ampla, é uma realidade complexa, conjugando elementos de natureza antropológica, filosófica, histórica, sociológica, que implicam a aceitação de uma noção aberta e múltipla de cultura, integrando a respectiva criação, consumo ou fr